Resenhas 

25 anos de Lacrimosa


Lacrimosa, definitivamente, não é uma banda comum. Desde seu processo de composição, o estilo musical, a poesia em suas músicas que às vezes são bem longas e outras muito curtas. A verdade é que não há um padrão para o processo de criação desta banda liderada pelo competente multi instrumentista Tilo Wolff e pela talentosa Anne Nurmi. Seus 25 anos de carreira mostram a capacidade da banda que sempre inova e continua a gradar seus ouvintes. Aliás, se há uma coisa que você não precisa esperar de Lacrimosa são suas mudanças ao longo da carreira. Em vários momentos, se você comparar diferentes albuns, vai ter a sensação de que (com exceção da voz marcante de Tilo) são bandas completamente diferentes.

Aproveitando o grande momento e o lançamento de um álbum recente e bastante competente, o Lacrimosa deu as caras por aqui em uma única em São Paulo, no Carioca Club (local onde já haviam tocado anteoriormente). O interessante do show foi a proposta tanto visual quanto conceitual. Era como se fizéssemos uma viagem no tempo através das músicas que foram apresentadas. O setlist apresentou músicas desde 1993 como “Crucifixio” e “Flame im wind”. Aliás, a interpretação de Tilo em Crucifixio foi muito intensa. Ele manteve a bateria eletrônica e se entregou bastante durante a música, fazendo um final que desconhecíamos se compararmos com a versão de estúdio. Falando ainda sobre sua performance ao vivo, muitos estavam receosos por saber que Tilo sofreu um acidente neste último mês onde teve uma fratura no pé e ao entrar no palco de muletas, gerou uma certa preocupação em todos… Todavia, isso não foi problema para Tilo que cantou boa parte das músicas sentado. Claro que isso minimizou parte da performance, contudo acredito que isso foi apenas um ponto positivo para a banda. Muitos músicos desmarcam shows ou adiam mediante a problemas como este, mas Tilo se manteve firme e veio tocar com sorriso no rosto. Essa entrega do artista, esse envolvimento todo pelo o que faz, só mostra o quão profissional eles são, todos eles. Mesmo não sendo fácil para Tilo se movimentar, ele ficou de pé algumas vezes e animou o público e isso foi muito legal de se ver.

O Show de 25 anos trouxe também ao palco o produtor e guitarrista Jay P. Genkel que, de acordo com muitos fãs, é praticamente um terceiro integrante principal da banda por fazer parte da maioria (e dos melhores, por que não?) dos álbuns produzidos pela banda.

Em uma noite de bastante emoção e envolvimento e uma casa não tão lotada como merecia, Lacrimosa nos presenteou com vários hits como Lichgestalt, Alleine zu Zweit, Feuer, I lost my star in Krasnodar, entre outros.

O setlist foi bastante diversificado e bem montado encaixando músicas animadas e outras mais calmas, entretendo muito bem o público. Quem marcou uma ótima apresentação também foi Anne Nurmi que se sente super à vontade com o público brasileiro e nos presenteou com uma grande interpretação em “Apart”, uma das melhores apresentações que já vi dela (confesso). E olha que conheço a banda há pelo menos 15 anos.

Ainda falando sobre o setlist, a banda apresentou várias músicas do novo album. O próprio show teve início com uma música do mesmo “Der Kelch der Hoffnung” com “Kaleidoskop” logo em seguida. Teve grandes momentos também em “Tränen der liebe” com direito a discurso de Tilo explicando sobre a origem da música que fala sobre alguém que está “in love” e tudo o que isso pode trazer emocionalmente. Outro grande momento foi em Apeiron que teve uma interpretação muito bonita de Tilo.

O show acabou com um gosto de “quero mais”. Poderíamos ter ficado ali a noite toda e não cansaríamos de ver a banda que se mostra cada vez mais entrosada e, mesmo conhecendo a banda há tanto tempo, não é possível enjoar de vê-los ao vivo, pois é um show muito competente, muito bem produzido com tudo muito organizado e orquestrado.

Tilo está, muito provavelmente, em um dos seus melhores momentos.

Não vejo a hora de Lacrimosa voltar ao Brasil.

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