Resenhas 

40 anos do primeiro disco do Ramones

Os primeiros acordes de Blitzkrieg Bop introduzem um hino oficial de um manifesto definitivo do punk. “Hey Ho, Let’s Go” se transformou em jargão-comum em diversificadas rodas de pôgo. Já vi até metaleiro entoando um “Hey, Ho” com a mesma potência de um bom e aprisionado “Foda-se” – com o perdão da deselegância.

Gravado em dois dias, Ramones surrou e despiu o rock.  Depois surrou de novo. Quem ouve mal pode acreditar que o produtor Craig Lion utilizou técnicas de gravação semelhantes a dos Beatles. Os Led Zeppelianos da época desacreditaram. “Não tem solo?”

Nem solo nem poesia. As letras são toscas e simples, com temas orbitando em conflitos adolescentes. As sutis pinceladas em violência, drogas e prostituição são leves e despretensiosas, tal qual um irmão que soca o outro como forma de dizer “eu te amo”, evidente em certa doçura melódica do disco.

Hoje, dia 23 de abril de 2016, o primeiro álbum de uma das mais emblemáticas bandas da história do rock completa 40 anos, virou um tiozão com muita história pra contar. Mas o que será que esse quarentão deixa de legado para os próximos quarenta anos?

Em primeiro lugar, a possibilidade de diversão com 3 acordes e a sensação de que toda guitarra pode voar. O Stooges já havia feito isso antes, mas foi o Ramones que mastigou o conceito e nos deu de bandeja, o que ninguém pode tirar de nós.

Em segundo – mas não menos importante – exemplos a serem seguidos. Brotaram bandas que captaram a mensagem de que tudo era possível com Lá, Ré e Mi, e até hoje essa incubadora vem gerando vida nova. The Clash, Wire, Buzzcocks, Iggy Pop, Sex Pistols, The Jam, The Saints, Siouxsie and the Banshees, The Germs, Undertones e Damned, só pra citar as que nasceram ainda nos 70’s.

De lá pra cá veio muita coisa e o punk evoluiu, se multiplicou e se dividiu em ramificações específicas, espalhando sementes que apontam para diferentes direções, mas juntas por uma única raiz.

E até hoje, em qualquer show, de um mega-estádio ao boteco do seu bairro, nossos ouvidos se deparam com um imortalizado “Hey, Ho!”

 

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