Resenhas 

As caras de “…Like Clockwork”

 

“Será um Queens diferente.” Foram essas as palavras de Michael Shuman, baixista do Queens of the Stone Age, sobre o novo trabalho da banda “…Like Clockwork”, em uma entrevista concedida à MTV Brasil, há cerca de dois meses. Na mesma ocasião, Josh Homme explicou que “Like Clockwork” é uma expressão usada para se dizer que algo fluiu com naturalidade, e que isso fora exatamente o que NÃO aconteceu com as gravações do novo álbum.

 
Tomando como verdade o depoimento dos dois integrantes da banda, consigo chegar à duas conclusões sobre “…Like Clockwork”. A primeira; o QOSTA quis uma mudança. A segunda, é a de que as gravações do novo trabalho não foram fáceis. E se essas não foram, entendo perfeitamente o porquê. De fato, “…Like Clockwork” é um álbum que expressa toda a minuciosidade de um trabalho bem feito; toda a busca por riffs marcantes, melodias densas, timbres fora do comum e detalhes que não parecem, mas fazem uma enorme diferença. Um “Queens diferente”, como Shuman propôs? Sim, mas nem tanto. Apesar das mudanças na forma de se compor e tocar, o Queens continua soando como o bom e velho Queens of the Stone Age. Não perdeu nada de suas características.

 
Mas as palavras do baixista não pararam por aí. “Acho que é um dos discos mais pesados que o Queens já fez. E não estou falando de riffs e distorção. A emoção das músicas e as letras são mais pesadas.” Nesse ponto, Shuman está completamente certo. Trata-se de um álbum que traz uma atmosfera peculiar. Não tenho uma explicação lógica para isso; é como se estivéssemos em um ambiente em que algo de diferente paira no ar, e não sabemos o que é, apenas o sentimos. Quem nunca passou por uma situação como essa, antes?

 
Poderia dizer ainda que é um álbum pesado, mais ao mesmo tempo romântico, um tanto quanto melancólico. É profundo. Acho que essa seria a melhor forma de descrevê-lo… Profundo!

 

 

Sim, eu já escutei “…Like Clockwork”. Umas três vezes, de cabo a rabo, no mínimo. Não, o álbum ainda não foi lançado no Brasil, é verdade. E quando isso acontecer, com certeza serei um dos primeiros a correr para as prateleiras da loja mais próxima e pagar para tê-lo comigo. Mas não resisti. A vontade e curiosidade falaram mais alto, e a internet é mágica em momentos como esse. E se muitos não fizeram o mesmo, sugiro que façam. Apenas para matar a curiosidade, nada mais. Se preferirem esperar pelo lançamento do álbum, tudo bem; ele está mais próximo do que imaginam. A curiosidade irá acabar em breve.

 
Não sei se quero falar muito mais, à respeito disso. Não quero parecer o formador de opiniões sobre “…Like Clockwork”. Gostaria apenas, que todos escutassem e tentassem captar essa atmosfera da qual falei. Tudo o que posso dizer nesse momento, é que gostei demais do que escutei, e provavelmente gostarei ainda mais conforme o tempo passar.

 
Para mim, a mensagem desse novo álbum não está só nas suas músicas. Está na arte, também, que mostra para nós a cara do disco. E o Queens soube usar isso à seu favor de uma forma incrível! Que outra banda pensaria em lançar uma série de cinco vídeoclipes antes do próprio álbum? Ainda não conheço; por favor, me avisem se estiver enganado.

 

E não precisaram de muito para se tornarem visionários, nesse sentido. Foi através da velha e conhecida Internet, do seu site oficial, das redes e principalmente do Youtube que o QOTSA nos mostrou as caras de seu novo trabalho. Um trabalho fino, delicado e poderoso, que todos deveriam conferir. É, sem sombras de dúvida, um dos melhores lançamentos que escutei no ano de 2013. E o melhor de tudo, ele é a cara do rock!

 
Aqui, um vídeo de 15 minutos, compilação dos cinco videoclipes que a banda lançou recentemente. Um belo curta-metragem em animação:

 

Músicas: “I Appear Missing”; “Kalopsia”; “Keep Your Eys Peeled”; “If I Had a Tail” e “My God is The Sun

 

 

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