Em ótima fase, NDK fala sobre álbum homônimo, lançamentos e inspirações

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O Rock de Verdade conversou com o NDK, banda com som alternativo e bem peculiar de Jundiaí (SP), que esteve aqui em Santos (SP), na última sexta (27/01), no Baccará Backstage, dividindo o palco com o Tico Santa Cruz. Rike (vocal), Marcola (bateria) e Mizão (baixo) trocaram uma ideia conosco, e o resultado pode ser conferido a seguir.

 

[Rock de Verdade] Como surgiu o NDK?

[Rike] Surgiu há onze anos, quando eu estudava com o Marcola no colégio, e o colégio promovia uma brincadeira pra galera interagir, mostrar algum talento em termos musical ou artístico em qualquer área. E aí a gente criou uma banda, que na época era a No Ducky (nosso antigo nome) e começou ali, numa brincadeira, total.

[RDV] Vocês já tem onze anos de carreira, então as influências vão mudando. Quais eram no começo, e quais são agora?

[Marcola] Nesse novo disco que a gente lançou – NDK, homônimo – a gente teve bastante influência de 311, tem um pouco de Sublime, porque a gente namorava um pouco com o reggae, um pouquinho de Alt-J. Agora a gente já tá preparando um novo trabalho que vai ser lançado nesse semestre, e já são outras influências. A gente quer mesclar um pouco mais do hip hop, do eletrônico, Twenty One Pilots, Mutemath Então a gente vai querendo ouvir outras coisas, absorvendo e somando com o nosso som.

[Rike] E, quando a gente começou o rock nacional sempre foi muita influência. Há duas semanas estivemos aqui com o Gabriel o Pensador nesse mesmo esquema, estamos fazendo com o Tico hoje, então pra gente é muito louco, são os caras que a gente cresceu ouvindo e estamos tendo a oportunidade de trocar uma ideia, fazer um show junto, se conhecer, loucura. Então é o rock nacional,  completando tudo isso que o Marcos falou.

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[RDV] A sonoridade de vocês é muito original, muito excêntrica. A descrição da banda no site é sensacional, e é bem o som de vocês mesmo. O que inspira vocês?

[Marcola] O lifestyle que a gente vive, né.

[Rike] A criatividade das pessoas. Quando eu assisto um filme, ouço uma música, eu fico muito me perguntando como a pessoa pensou naquilo, como foi a ideia de origem daquela coisa. Quando eu era moleque, eu tinha algumas referências um pouco estranhas fora da música, tipo o Spielberg (diretor de cinema), que eu sempre ficava pensando “como esse cara é genial!”, a criatividade sempre me chamou muito a atenção. Dentro da música, as pessoas criativas e também as com atitude sempre me chamaram muito a atenção, pessoas que, além da música forte, a mensagem forte, sempre se posicionaram também perante a sociedade, ou com algum assunto que fosse pertinente, como é o caso do Tico, como é o caso do Chorão (que também é daqui de Santos). Então, acho que é isso. Pra mim, a criatividade. E o lifestyle sem dúvidas anda junto com a música.

[Marcola] A gente escreve o que a gente vive. A gente se vê todo dia, trabalhando junto, a gente vai vivendo várias situações, a gente vai parando, pensando e escrevendo tudo isso.

[Rike] A gente quer muito também passar o lifestyle pras pessoas que a gente vê, as pessoas procuram a gente muito interessadas nisso: “como é ter esse lifestyle?” “como é ter uma banda?” “como é viver disso?” “o que vocês fazem?”.

[Mizão] Querendo ou não, quando você tá com um microfone na mão e é um artista de alguma maneira, você tá expondo uma ideia pra muitas pessoas ouvirem e refletirem sobre aquilo, então como artistas, acho fundamental termos esse posicionamento na sociedade do que só ficar falando bosta ou só falando de festa e alegria, porque a gente tem esse poder de plantar uma semente na cabeça da pessoa, e ela vai regar e fazer isso florescer. Então eu acho que isso também inspira bastante, o poder de mudança, o poder de “acontecer” outras pessoas, eu vejo muito isso na NDK.

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[RDV] Vocês têm uma força muito grande na internet, e o público também é muito jovem. Como é esse contato pra vocês?

[Rike] É muito louco, porque o público jovem é muito importante nessa elevação de nome de uma banda na internet principalmente. A gente tem essa parcela do fã mais novo, e a gente chegou agora em outra parcela que é o público universitário, onde a gente tá tocando muito em muitas festas, em todo o interior de São Paulo e em até outros estados, que é um outro público que vem pra completar essa parada. Porque o público mais novo é muito interessante na internet, tá se formando, mas a galera que tá na universidade já é formadora de opinião, já é um passo. Então nada melhor que abraçar a coisa assim. A gente não tem uma pretensão de definir o público, falar que é de tal a tal idade, a gente faz a nossa música e passa a mensagem torcendo pra que ela atinja todas as faixas, pra gente depois ter um feedback. Mas temos essa parcela na internet, que é muito importante, um público jovem, fizeram matérias muito boas em vários meios, que foram ótimas, em canais de TV do público jovem e enfim.

[Marcola] Tem uma história muito interessante que até uma mãe acabou ouvindo a música – que tem uma história -, ela mostrou pra filha, a filha mostrou pra mãe (que é a “Missão”), e uniu elas. Elas tinham problema de relacionamento, não se falavam, mas mudou por causa da nossa música. Elas eram do Mato Grosso do Sul e foram pra Jundiaí conhecer a gente, a gente ficou muito feliz, promover a mudança de uma pessoa, e é isso que vale a pena no fim das contas, a gente faz todo esse corre pra poder conseguir chegar nesse resultado. Ela falou “pô, você mudou minha vida”, foi foda.

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[RDV] Falando em universitários, vocês fizeram faculdade?

[Rike] Sim, eu fiz Educação Física, me formei em Rio Claro, na Unesp, que foi uma grande porta inclusive pra gente começar a tocar nas festas.

[Marcola] Fiz duas mas não tenho nenhum diploma (risos). Eu fazia de Administração antes, quando era moleque, tranquei. Daí vi que queria Música… Aí depois eu fiz um curso de Produção Musical, na Anhembi.

[Mizão] E eu sou engenheiro civil, formado.

[Rike] Você daria um baixo ou um prédio pra ele construir? (Risos)

[Mizão] Mas acho que independente do que cada um tem formação. Acho que todo conhecimento que a gente adquire, nada é desperdiçado. Uma mente expandida uma vez nunca vai voltar ao tamanho original.

[Rike] E a gente tá muito empenhado agora, em cada vez mais mergulhar na música definitivamente. A gente já tá trabalhando só com isso, vivendo só disso há um tempo e se empenhando também agora nos estudos da música, pra gente entender mais e ficar até teoricamente falando mais músicos, mais didáticos pra estar em todo lugar conversando com todo mundo na mesma língua. Porque também as coisas pra gente foram acontecendo, foram acontecendo e a gente foi aprendendo tudo na estrada, tudo da forma que a gente nem sabe direito como.

 

[RDV] Vocês têm alguma faixa preferida do presente álbum?

[Rike] Preferida não, é que “Missão” é a música que mais atingiu pessoas até agora, então é aquela “preferida” que a gente tem, o repertoriozinho, a faixa tá rolando em alguns lugares, então a gente acaba levando ela em consideração, e “Em Mim”. Mas a gente já tá pensando no disco novo, entrar em estúdio pra gravar, novas referências, novas letras, vai ser legal.

 

 

[RDV] A produção da capa desse último álbum é lindíssima, toda psicodélica. De onde surgiu?

[Marcola] Foi um gringo! A gente estava procurando umas referências, e a gente começou a ver umas artes muito loucas de bandas tipo 311, The Mars Volta ([Rike]: que é inclusive uma referência pra gente), e a gente viu que era um tal de Sonny Kay que fazia. Entramos no site dele e pensamos “ah, vamos mandar um e-mail” e tal, explicando tudo, e ele disse “faço, com o maior prazer”. Começamos a trocar vários e-mails, trocamos uns 60 e-mails, trocando referências, trocando fotos…

[Rike] Traduzindo letra de música, mandando conceitos…

[Marcola] E ele perguntou “mas e o conceito da banda?”, e aí chegou nesse desenho final que é basicamente uma “Shivona” (que a gente chama), mas são várias representações das ideias que a gente passa pras músicas, se perceber tem vários elementos.

[Mizão] E o mais legal de se ver é que dentro dessa “mulher”, desse ser que tá exposto na capa, a gente pôs vários olhos dentro que são vários olhares se abrindo, quando você ouve uma música você tem um olhar, uma perspectiva, outro ouve com outra, então a gente quis abrir isso pra galera. E dentro disso, vários elementos como uma mão dando a mão para outra, uma algema abrindo e assim todo mundo que vai olhar vai ter uma percepção diferente da arte.

[Rike] E artisticamente falando é um trampo que ele fez com colagem, montagem digital, que é até um negócio diferente ainda aqui no Brasil (mas já tem um monte de artistas trabalhando com isso), e quando a gente mostrou muita gente ficou “meu, que legal!”. Tem até um vídeo no nosso canal que ele explica com a tela do PC mostrando mais ou menos como foi fazendo, como foi colando, e é muito sinistro! Aquele assunto como eu tinha falado, como ele cria um pensamento, como ele traça uma linha… É muito louco.

 

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[RDV] Falando mais um pouquinho sobre o lançamento… Datas?

[Rike] Esse ano! Se tudo der certo a gente tá entrando em estúdio agora em fevereiro, a gente já tá com as prévias gravadas, a gente tá decidindo quem vai produzir o trabalho, a gente na verdade quer ter mais de um produtor, então estamos conversando e entendendo a viabilidade de tudo, vendo o que vai ser  bom pra todo mundo. Se der certo, em fevereiro a gente começa a gravar e no meio do ano a gente deve estar lançando já as músicas com vídeos, a gente tá com as ideias bem adiantadas. É mais viabilizar tudo, entender como vai ser feito, tudo tem custo, tudo tem trampo, enfim…

 

[RDV] E como é tocar com o Tico?

[Rike] Ah, é muito louco, né. A gente tá conhecendo ele agora, a gente tinha conversado com ele no WhatsApp antes, pra acertar repertório, alinhar tudo… Como eu falei, é uma honra pelo fato de a gente ter crescido ouvindo as obras dele e aprendendo com ele, e com as ideias dele, e outros artistas da nossa geração. Então pra gente tá sendo uma realização atrás da outra, agora nesse momento muito bom que estamos vivendo, de colher muitos frutos, a gente tá muito feliz e acho isso acaba energizando a alma, o pensamento com esse novo trabalho, pra essas novas coisas que a gente vai fazer, pra daqui 10 ou 15 anos ser a gente tocando com novos artistas e com esse reconhecimento, quem sabe.

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[RDV] Vocês tem algum recado pra dar para os fãs?

[Rike] Quero mandar um beijo pra todo mundo do Rock de Verdade, Will, nosso amigão, pra você, pra toda a galera daqui da Baixada, do litoral… A gente adorou a vibe aqui, e a gente espera voltar muito aqui pra conversar com vocês, a gente espera ver vocês em diversos camarins, são nossos convidados! E a galera aí que acompanha as matérias no site, sejam bem vindos também, tamo junto, é um prazerzaço!

[Marcola] E estamos em todas as redes sociais existentes – @NDKoficial -, plataformas digitais, e a gente é bem atualizado, a gente gosta de ficar postando bastante coisa…

[Rike] Inclusive agora aproveitar que a gente tá online e fazer uma história no Instagram.

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Fotos: Gabriela Miranda de Faria
Repórer: Barbara Lopes
Editor chefe: Will batera

 

 

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