Bandas Entrevistas 

Entrevista exclusiva com CPM22

Nessa última sexta-feira (20/09), a banda CPM22 fez uma apresentação no Santos Rock Festival e gentilmente nos cedeu um pouquinho do tempo deles para uma entrevista exclusiva para o público do Rock de Verdade. Confira como foi logo abaixo:

Nina Grave: Ontem vocês já estavam por aqui, o Japinha se apresentou em um bar da região (Mucha Breja), como foi a receptividade lá? Foi legal?

Japinha: Foi legal, tinha muita gente que já conhecia a banda. Santos gosta de rock né? Aqui (no Mendes) também foi bem legal.

Nina Grave: Siim! Falta alguns dias para vocês tocarem pela segunda vez no palco Mundo do Rock in Rio, como está a expectativa de vocês?

Badauí: Cara, por um lado está mais fácil porque a gente já tocou, não tem aquela pressão que tivemos da primeira vez. Mas por outro lado tem uma pressão diferente, porque vamos tocar com outra banda. Uma banda que por mais que a gente conheça, na hora que você vai tocar junto, não tem aquela intimidade. Nós somos ouvintes do Raimundos né. Tem essa sensibilidade de tanto a gente tocar as músicas deles, como eles tocarem as nossas. Uma coisa é você conhecer a música, outra coisa é você executar, ainda mais em um evento desse tamanho, com essa responsabilidade. A gente está ensaiando, está rolando bem, a gente sempre frisa que tem que levar como uma jam mesmo, curtir o momento. Provavelmente alguns erros vão acontecer, mas será imperceptível pro público. Somos duas bandas calejadas, de muita estrada. Acredito que se a gente se propor a curtir e fazer o que sabe, vai ser tranquilo. Mas a expectativa é grande, tocar com artistas internacionais, pra mais de 120 países, com 100 mil pessoas, sempre dá uma adrenalina.

Nina Grave: Com certeza! Legal, porque no Rock in Rio nessa edição está rolando muitas colabs né, várias jams.

Badauí: Sim sempre teve né. Mas enfim, a gente nunca fez tanto isso. Às vezes você chama um artista para participar, aí é mais fácil, mas uma banda inteira, duas baterias. Eu estava meio apreensivo antes dos ensaios, mais pelo lance da bateria, mas pelo que eu tenho visto, são dois cdfs da bateria, risos. O instrumento que eu achava que ia ter mais problemas é o que menos está tendo problema, então vai ser legal.

Nina Grave: Certeza, bom faz uns 5 meses que vocês lançaram o último clipe de vocês, como está sendo essa repercussão do clipe? Vocês já sentiram um feedback da galera?

Badauí: As poucas pessoas que viram curtiram, risos. As pessoas não vêem mais clipes, acredito que o maior consumo do youtube são os youtubers mesmo e os canais das pessoas. Clipes infelizmente não tem mais tanto espaço, a gente vem de uma época que a gente gravava clipe para a MTV, que era bem forte. É legal ter o clipe, mas a gente sabe que pouca gente vai ver porque o consumo de música e cultura é muito frenético.

Japinha: Mas ao mesmo tempo para nós como banda é importante, a gente gosta, somos dessa época. Curtimos aliar o áudio ao vídeo, o som à imagem, ainda mais em uma música importante como essa que o Badauí fez pro pai dele. A gente gosta pra caramba dela, gosta de tocar, e ter um registro visual pra marcar a turnê desse disco, pra nós é muito legal, então a gente fez com boa vontade, amarradão, curtimos muito. Pra você ter ideia fomos gravar em Curitiba com uma produtora de lá. Isso completa também uma “clipografia” da banda, porque de toda a discografia nós temos uma sequência de mais de 20 clipes, e é uma música de trabalho, uma música importante, então a gente achou muito legal fazer.

Nina Grave: Legal mesmo. No final de semana passado, vocês estavam no Oxigênio Festival, eu estava lá também inclusive, risos. Na coletiva de imprensa foi muito falado sobre a cena atual do rock nacional, rolou uma discussão bem extensa sobre isso. A opinião de vocês na prática, vocês acham que perderam espaço ou continua a mesma coisa?

Badauí: Eu acho que não, eu acho que separou os meninos dos homens. Depois daquela segunda parte da década de 2000, em que surgiram bandas em que a molecada estava só buscando o sucesso e aí acabou se perdendo  na identidade, hoje você vê bandas como o Bullet Bane, Pense, sabe? Uma molecada que desencanou disso e estão fazendo a parada porque é de verdade, porque gostam mesmo e o sucesso vem como conseqüência, como a gente na nossa época, não só o CPM, mas as bandas ali dos anos 90 pensavam. Hoje eu vejo, até falei no show, o rock está forte, mas está forte para quem curti rock, para os simpatizantes não está mais forte. O simpatizante se ele não vê na televisão ou na rádio mix, ele não vai ouvir, não vai ter rock nesses veículos. Então, o cara que gosta de rock, ele sabe que a cena está existindo, seja no underground ou no mainstream tem bandas fortes tocando. Se você entra no instagram do CPM vocês vê shows lotados pelo Brasil inteiro, com bandas grandes e bandas menores, mas fortes também. Nós voltamos a tocar para o nosso público! Tem algumas pessoas que ainda não conheciam esse estilo, o punk rock e acabaram conhecendo nos anos 2000 com a MTV forte e o CPM bombando nas rádios inclusive. Algumas dessas pessoas continuam com a gente e mudaram o estilo de vida. Mas para aquele que é simpatizante e que curti um pouco de tudo, esse aí realmente não vai ver rock em nenhum lugar a não ser que ele vá atrás.

Nina Grave: Ah, isso com certeza!

Badauí: Foi o que eu falei hoje, pra quem fala que o rock tá morto, é porque não merece estar aqui com a gente.

Nina Grave: O álbum de vocês, Suor e Sacrifício, é para muitos fãs da banda o melhor disco que vocês já lançaram nos 24 anos de carreira de vocês, vocês já lançaram até em vinil. Qual o álbum favorito de vocês?

Badauí: Pra mim é esse (Suor e Sacrifício) e Cidade Cinza

Japinha: Pra mim é o Felicidade Instantânea.

Badauí: Mas o fato de eu falar que esse é o que eu mais gosto não quer dizer que meu gosto esteja longe dos outros discos. Quando eu falo que é o melhor disco pra mim, é porque envolve tudo: letra, melodia, gravação, mixagem, masterização, capa. Mas os discos cada um tem sua época, e o mais legal é que o show fica grande porque você pega o melhor de cada disco para tocar no show. É assim que funciona, uma banda de 24 anos tem suas diferenças também.

Nina Grave: Vocês tem alguma banda que vocês gostariam de indicarpra galera ouvir?

Badauí: Tem uma banda que eu estou gostando bastante que é o Street Dogs, o vocalista era do Dropkick Murphys, ele saiu da banda para ir pra guerra do Iraque e montou essa banda. Mas eu aconselho a ver as bandas que eu to vestindo, sempre uso camisa de banda, essas que eu uso camiseta pode dar uma atenção que são bandas verdadeiras e se você gosta de CPM, vai saber de onde vêm as influências.

Nina Grave: Pode crer. Bom, por último, vocês podem deixar um recado para a galera que acompanha nosso site?

Japinha: Valeu galera do Rock de Verdade, obrigada por prestigiar o rock principalmente, não somente o CPM, o site também e é isso aí. Continuem curtindo, compareçam nos shows, obrigado por todo apoio de quem curti o CPM, que sempre acompanhou a gente nesses 18 anos de carreira, se não fosse vocês a gente não estava aqui tão vivo, tão forte, tão grande, tocando em Rock in Rio, fazendo três, quatro shows por semana. Então grande abraço, grande beijo, continuem curtindo um bom rock e fiquem com Deus.

Nina Grave: Valeeu 🙂

E aí galera? Gostaram desse bate papo com o CPM22? Compartilha aí com os seus amigos que também gostam de CPM, com a galera que de repente estava lá nesse show, e vamos fazer esse público do Rock de Verdade aumentar cada vez mais para podermos trazer mais informações e notícias exclusivas para vocês.

A esperança não morreu!

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