Entrevista exclusiva com o Garage Fuzz

No domingo passado (08/11), rolou por aqui em Santos (SP) o Santos Hardcore Festival, festival que contou com as presenças das bandas Pennywise, Face to Face e Garage Fuzz.

O Rock de Verdade esteve presente e entrevistou o Alexandre Cruz , vulgo Farofa, vocalista do Garage Fuzz.

Rock de Verdade: Considerando que o Garage Fuzz vai fazer 25 anos de carreira ano que vem, de onde surgiu a ideia de fazer a banda?
Garage Fuzz: A gente tocava nos anos 1980 em outras bandas de punk aqui de Santos, com o Fabricio tocamos juntos no Psychic Possessor, com o Daniel no OVEC, aí em 1991 a gente montou um trio, o Garage era um trio: eu tocando guitarra e cantando, o Daniel tocando bateria, e o Fabricio, baixo. A banda começou assim, em um quarto, tocando guitarra com quatro cordas, bateria de almofada. E aí quando o Fabricio entrou, ele já tinha gravado um disco de hardcore que era referência para a gente, do Psychic Possessor, “Nós Somos a América do Sul” e aí eu acho que ele organizou a banda melhor, colocou um outro guitarra, começamos a ensaiar mais, ter mais frequência de ensaio. Nessa época também era antes do grunge, o Nirvana não tinha nem lançado “Smells Like Teen Spirit“, então a gente pegou uma fase pré-grunge e pós-grunge ali em 1990. Então começamos a estudar mais hardcore, até Face To Face e Pennywise por causa dos vídeos de skate de 1993. E foi assim que a banda seguiu o começo.

RDV: Vocês já dividiram o palco com muitas bandas. Com quais bandas vocês mais gostaram de tocar?
GF: Teve vários tipos de experiência. Bandas que a gente não conhecia, como All You Can Eat, em 1994, que era uma banda da Califórnia e fizeram uma turnê no Brasil muito importante para a gente, porque nos ensinaram um monte de coisa relacionada a merchandising, a tocar, fazer as coisas no do it yourself. Mas também teve bandas como Samiam, Seaweed no fim dos anos 1990, que influenciaram muito a gente. Então a gente pode ter experiência de ter tocado com as bandas que realmente influenciaram a gente no começo da banda.

RDV: Como está sendo tocar hoje com o Pennywise e o Face to Face?
GF: Foi o que eu falei no palco. Em 1995, era o som que a gente escutava, eu respeito muito ainda as bandas por continuarem, pela história. O Garage foi mudando durante a trajetória desses 25 anos, a gente foi escutando umas coisas com outras referências fora do hardcore melódico. Hoje em dia eu não escuto tanto esse tipo de som, mas ele é importante para a gente estar participando dessa cena e estar fazendo um show desse porte.

RDV: Tem algumas bandas que vocês podem considerar que, mesmo com o amadurecimento do Garage Fuzz, se mantêm influentes até hoje?
GF: É difícil uma banda de 25 anos ficar mantendo vários discos relevantes. Não estou falando que a gente é relevante, mas nossos discos têm a distância cada um de uns cinco, sete anos, então fica uma outra estrutura de música. Então, no nosso caso, as bandas que a gente escutava eu acho que o Samiam, o disco “Soar” de 1991, é uma coisa importante para a banda; Seaweed, todos os discos da Sub Pop foram muito importantes para a gente, as bandas da Revelation Records nos anos 1990. E a gente continua escutando outras coisas, como Minus The Bear, coisas mais atuais assim.

RDV: Quando vocês vão fazer o processo de composição, em que vocês se inspiram?
GF: Hoje em dia acho que a gente já tá entrosado em compor as músicas e já tem um estilo próprio. A banda ensaia muito, tipo duas vezes por semana estamos ensaiando, e eu acho que é isso que faz a diferença atualmente, a frequência de ensaios, a dinâmica direta.

RDV: E em relação às letras?
GF: As letras são bem pessoais, são coisas que a gente tá vivendo no momento e acaba influenciando no que tá escrevendo, no que tá acontecendo na banda. Então eu acho que em cada período da banda tem as letras da gente com 20 anos de idade, a gente com 30, a gente com 40 depois, já com filho.

RDV: O que vocês têm a falar da cena underground caiçara?
GF: Eu acho que Santos, desde os anos 1970, sempre teve bandas relevantes. Nos anos 1980, a gente tinha o Vulcano, que foi uma banda fudida de metal e ainda é, o Herrick, para a música eletrônica estava décadas a frente. Eu acho que Santos sempre teve muita coisa banda em reggae, música pop, acho que a cena daqui sempre foi forte porque sempre teve pessoas que se interessaram em ouvir som mesmo, e fazer uma coisa legal.

RDV: E em relação a esse underground voltado pro punk e hardcore?
GF: A coisa foi evoluindo aqui na cidade. Quando a gente começou a tocar hardcore nos anos 1990, ali em 1993, era uma outra estrutura. Então acho que hoje Santos vive um momento legal, era impossível fazer shows nesse porte na cidade. Acho que a cidade está sempre evoluindo. O que mudou é como as pessoas escutam música, mas aí acho que é mundial, não é só da cidade, então acaba influenciando. Às vezes a galera acha que nos anos 1990 era mais legal, mas acho que hoje é bom, tem muita informação. É mais difícil por ter que estar em todas as mídias e redes sociais, mas ao mesmo tempo é mais fácil para divulgar.

RDV: Vocês tem alguma coisa a comentar sobre o “Fast Relief“? Como é o novo álbum, as turnês de divulgação, o processo de criação, o que as pessoas que ainda não ouviram podem esperar?
GF: Eu acho que é o nosso disco mais trabalhado, foi o disco que a gente ficou compondo por mais tempo de todos os discos do Garage, a gente teve como pontuar “ah, a gente quer fazer músicas tipo do começo”, “ah, a gente quer fazer músicas tipo ‘Turn The Page‘”, “a gente quer fazer músicas tipo do ‘The Morning Walk‘”, então acho que o “Fast Relief” é um apanhado de todos essas duas décadas da banda. A gente ensaiou bastante, desenvolveu bem o disco, acho que a execução tem uma evolução na gravação, acho que foi legal. Eu não tenho muita noção porque a gente está começando, é esquisito ainda, às vezes eu nem consigo ouvir porque a gente ficou escutando tanto nos últimos meses, no último ano, para fazer e gravar… Que eu ainda nem escutei o CD, na real! (Risos)

RDV: Vocês querem deixar algum recado para os fãs?
GF: A gente sempre agradece todo mundo. Se a gente continuar tocando é estritamente por causa dos nossos fãs, o carinho que eles mandam para a gente, tipo ao vivo quando a gente toca, as pessoas vêm contar como a banda influenciou a vida de cada um ali, acho que isso é importante para a gente e é o que faz a gente continuar tocando. Não é o dinheiro nem o status de ter uma banda, é essa relação com o público que é muito forte.

Fotos: Yuri Antunes


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