Fred Dutra, vocalista da banda Setembro fala sobre novo álbum

A banda carioca Setembro lançou no mês passado o álbum de estréia chamado “Quando Acena A Primaveira“, e em meio a correria e todo processo de divulgação o vocalista Fred Dutra, com todo carinho e atenção nos cedeu uma entrevista, para que os fãs conheçam um pouco mais sobre a história da banda e processo de gravação desse belíssimo álbum, confira a entrevista:

1) RDV: Como surgiu a banda Setembro?

Fred Dutra: Nos conhecemos através de bandas que tocavam juntas, se conheciam, admirávamos os trabalhos, uns dos outros. Eu (Fred Dutra) e Zé Dias, tocamos numa banda chamada Saangara, Ary no Roma (antigo Hortelã) e Fábio em outras bandas.

Depois, formamos uma nova banda, onde Fábio Brasil veio se juntar a nós. Depois, Fábio começou seu trabalho junto ao Detonautas. Eu e Ary começamos a produzir composições que não cabiam em nossos trabalhos de banda, com uma pegada mais Nova MPB. Mas, nunca deixamos de manter contato e nem de estar produzindo juntos. Porém, a releitura da Setembro foi proposta pelo Fábio Brasil, em Fevereiro do ano de 2013. Que viabilizou todo o projeto, inclusive produzindo através do seu Selo Mobília Space, todo o CD com muito carinho, sensibilidade e qualidade de alto nível.

2) RDV: Por que nome da banda se chama Setembro? Algo especial?

Fred Dutra: Temos vários motivos, simbólicos, sonoros e psicológicos também: Setembro é a estação das flores, das cores, fragrâncias, dos amores… Também, a canção do Beto Guedes e Ronaldo Bastos, “Sol de Primavera” a canção da Marina Lima que gostamos muito… Além, disso, eu e Ary a aniversariamos em Setembro. Além disso, sofro de alguns TOCs: Sou fanático por trissílabos, pela sonoridade das palavras e Setembro, nos pareceu bem sonoro e prazeroso de se pronunciar !

3) RDV:  Qual a música da banda que a galera costuma pedir em shows?

Fred Dutra: Ainda não fizemos shows, com essa formação da Setembro. Estamos com alguns shows programados para pré-lançamento do CD, em 26/02, e para todo o mês de março. E, daí por diante…

4) RDV: As músicas da bandas são bem profundas, como vocês compõem essas músicas?

Fred Dutra: Sem a menor sombra de hipocrisia, fazemos arte por amor. Fazemos o que gostaríamos de ouvir, influenciados pelo que nos emociona. Não procuramos formatos mercadológicos, procuramos formados artísticos, melódicos, harmônicos, poesia e palavras afins, que encadeadas soem agradavelmente aos ouvidos e coração. Cantar o que gostaríamos de ouvir para pessoas sensíveis que queiram ouvir e sentir emoções. Não forçamos nada.

Por diversas vezes, ao terminar o texto e melodia de uma canção, sozinho ou acompanhado da banda, choro. E, quando estamos juntos, nos emocionamos juntos. E, acho que isso é um grande sinal de sinergia e, de que nosso propósito foi alcançado. Entende?

5) RDV: Nesse novo álbum “Quando Acena a Primavera” tem alguma faixa preferida?

Fred Dutra: Não.

Temos observado muitas divisões de gosto no CD, rádios executando “Libra“, algumas “O Poeta” e outras “O Amor Já Sabe Odiar“, além das referências dos amigos e Fãs Clubes, que tem nos tem demonstrado preferências e carinhos especiais por algumas canções totalmente diferenciados.

Acho que isso, tem muito haver, com o trabalho da produção musical do Fábio, e do próprio repertório bem substancial da Setembro. Foi muito difícil pra nós, escolher as canções que entrariam no CD de estréia. Vocês não imaginam o quanto.

Acredito que todos nós, devemos ter algumas afinidades maiores por uma ou outra de nossas canções… Mas, como compositores (pais e mães), amamos nossos filhos e canções por igual. E, como na relação de maternidade, os filhos mais novos/registros acabam atraindo mais as atenções e um certo entusiasmo. Mas, o amor é igual. Temos ouvido muito um determinado bloco: “Cavalo de Aço”, “A Casa das Flores Sem Cor”, “www.desilusão”, “Púrpura”, “O Poeta”, e “O Amor Já Sabe Odiar“.

6) RDV: Falando no álbum novo, que foi lançado recentemente, como foi o processo de gravação?

Fred Dutra: Imagine tentarmos colocar toda a mudança de um apartamento de 3 quartos + 1 reversível com varanda, área e garagem, dentro de um quitinete… Pois bem, é por aí! O processo de gravação foi maravilhoso, de altíssima qualidade, com todos os detalhes, cuidados e qualidade que precisávamos ter. Além dos registros, bem feitos de imagens, e takes, que nos proporcionaram 5 clipes bem artísticos e um single clipe interessante. Mas, fomos escolhendo blocos de canções, e descartando outras, ao longo do processo. Então, gravar nossas canções foi muito prazeroso, mas tivemos de fazer escolhas, com dores e “perdas”, ao final do processo. Faz parte.

E, o resultado foi fabuloso, porque, a produção musical nos garantiu as escolhas certas… Temos um CD com 10 canções, sendo uma instrumental. E, ainda tivemos a participação especial do Renato Rocha (Guitarrista do Detonautas), nos emprestando seus talentos, colocando teclados em 3 canções. Qual banda ainda independente estréia um trabalho com tantas oportunidades assim? Temos de nos orgulhar, e muito a agradecer. Principalmente os resultados.

7) RDV: A banda foi formada nos anos 90 e segue bastante influência dos anos 80, quais bandas vocês tem como influência?

Fred Dutra: Cada integrante trás consigo traços de seus ídolos pessoais. Mas, acreditamos que a música dos anos 80 exerça a maior referência e influência para o trabalho da Setembro. Então, as referências internacionais são The Police, The Smiths, The Cult, Roxy Music e Tears For Fears influências comuns a todos, assim como todo o rock nacional nesse período também exerceu grande influência, tanto da diversidade quanto no conteúdo Legião Urbana, Barão Vermelho, Hojerizah, Paralamas do Sucesso, Titãs e muitas outras … Assim como, também, toda MPB dos anos 70 e 80 também são fontes de inspiração para nossa música e poesia.

8) RDV: Em alguma história engraçada que você já vivenciou com a banda?

Fred Dutra: Temos diversas. Muitas mesmo! Como somos amigos de 30 anos, é absolutamente natural termos tantas estórias pra contar, que é muito difícil elegermos uma… Preferimos dizer que quando estamos juntos, e quando não estamos diretamente fazendo música ou falando de música, estamos sempre rindo…

Nossa música nós levamos a sério. Lembramos de estórias super engraçadas de um Chevete vermelho, de nosso irmão Zé Dias, que chamávamos de “Morcego Vermelho”. São tantas e tantas estórias desse carro conosco, que quando começamos a contar, não paramos mais de rir. E, é melhor nem começar ! Rs, rs, rs…

9) RDV: Você lançaram o clipe da belíssima música “A casa das flores sem cor”, pretendem lançar outro clipes?

Fred Dutra: Como disse anteriormente, fomos lançando vários clipes, ao longo de todo o processo de gravação:

Pretendemos sim, e estamos iniciando um processo de pesquisa de captação de incentivos, pra colocar alguns projetos pra frente. Mas, é uma surpresa para os fãs. E, surpresa a gente não pode estragar, né ?

10 ) RDV: Uma outra coisa que percebi, que os clipes da banda, é geralmente gravado em estúdio, vocês pretendem gravar algum clipe fora do estúdio? Ao ar livre, animação gráfica?

Fred Dutra: Sim. Quando iniciamos o processo de gravação, o objetivo principal era conseguir tão somente, atingir o máximo que poderíamos nos trabalhos de áudio. Reproduzir todos as nossas sonhos e delírios, através de nossas músicas, como esperávamos e sabíamos que as canções poderiam render. E, elas já existiam, não compomos nada no estúdio. Algumas até, são canções conhecidas de nossos amigos e fãs. Porém, como tivemos a oportunidade de gravar os takes e Fábio como um grande amigo e irmão, foi muito carinhoso e produziu os clipes, filmando as gravações, experimentando filtros e todas as oportunidades de takes, juntando e produzindo tudo. Fomos criando material, com as ferramentas que estavam a mão. E, fomos desenvolvendo esse canal de divulgação, para que as pessoas pudessem conhecer melhor nosso trabalho. Viemos lançando um clipe de 2 em 2 meses. As vezes até, em maiores intervalos.

Temos alguns projetos para captação de recursos, e acredito que possamos produzir mais materiais interessantes, para algumas das canções que não receberam clipes ainda, como “Cavalo de Aço“, “O Amor Já Sabe Odiar“, gostaríamos de fazer um novo clipe para “O Poeta“, e dar continuidade ao de “Dom Quixote” (fazê-lo mais extenso). Mas, sabemos que temos a tendência a nos exigir demais. E, sabemos também que o saldo de todo o trabalho foi muito positivo. E, que diversas bandas, não conseguem produzir sequer um clipe, quando nós conseguimos muito mais…

E, quer saber o que nós da Setembro temos de saldo de todo esse processo? Alegria e aquela sensação de realização. Somos uma banda independente, com uma trajetória de uma ano, entre gravação e todos os outros processos, que produziu resultados muito expressivos: 10 boas canções, bem produzidas, mixadas 5 clipes (mesmo que produzidos através de takes de estúdio) + 1 Single Clipe de “Dom Quixote“.

11) RDV: Para encerrar, quais próximos planos para a banda nesse ano de 2015?

Fred Dutra: Divulgação é o passo principal que temos de realizar agora! Iniciamos todo o processo de gravação em fevereiro e finalizamos tudo em dezembro. Entre gravações, paradas necessárias, por conta da intensa agenda do Fábio com o Detonautas, mixagens, masterização… Nós viemos apresentando nosso trabalho através das redes sociais, e mesmo sem ainda ter realizado shows e ainda fazermos parte de um cenário independente, temos recebido grande feedback do público. Muitas surpresas, alegrias, carinho, dicas, ajuda e apoio… Com tão pouco tempo desde o início do trabalho, conseguimos receber os presentes de, um 1º Fã Clube Oficial, depois outro na Argentina, um Fan Page e mais um Fã Clube em Sergipe. Temos tido a surpresa de estarmos sendo executados em 9 rádios diferentes, de Sergipe até a Argentina. Estamos nos espalhando, lentamente e de maneira sólida.

E, acredito que, mesmo com todas as dificuldades de trabalhar quase ao longo de um ano, viemos também, com a ajuda e apoio de mídias como a de vocês do Rock de Verdade, conseguir uma maior exposição e conhecimento do público de rock especializado. O que muito nos entusiasma e nos emociona é, perceber que o trabalho (CD), agrada as pessoas de maneira uniforme. Então, estamos preparando entrar no cenário dos shows, para podermos ter maior e melhor contato com nosso público.

Gostaria de agradecer ao Fred Dutra pela disponibilidade e carinho com a gente do Rock de Verdade. 

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