Mayhem faz show histórico em São Paulo

Finalmente a grande noite chegou! Em turnê pela América do Sul, a lenda viva do black metal mundial, os noruegueses do Mayhem desembarcaram na cidade de São Paulo para seu terceiro show da tour e último no Brasil. O grupo já havia passado pelas cidades de Curitiba e Rio de Janeiro, então toda ansiedade era pouca, diante das prévias que haviam sido recém divulgadas.

De qualquer forma, o show em São Paulo foi um verdadeiro marco para os fãs de black metal, que compareceram em peso e honraram a camisa. A primeira surpresa, foi a questão do merch oficial: os fãs sabiam que a banda trouxe da Noruega uma quantidade limitadas de camisetas especiais referentes à turnê, então horas antes do show, os pagantes já se amontoavam na porta da casa de show para poder entrar e comprar o seu exemplar dessa verdadeira joia. Mas para a surpresa de todos, as camisetas que seriam vendidas ao longo da turnê, já haviam sido esgotadas! Todo o material que a produção trouxe da gringa, foi extinto em apenas dois shows, deixando os fãs sedentos de São Paulo literalmente chupando o dedo… Isso sem contar nos fãs das próximas cidades, já que a turnê pelos trópicos americanos se estende até o dia 30 desse mês.

Mas vamos ao que interessa, o show!

Para começar vamos falar sobre a produção: a banda trouxe das terras nórdicas, uma iluminadora e um técnico de som próprios, além de máquinas de fumaças, e aqui merece um grande adendo, máquinas de fumaça de VERDADE, não aqueles canhões que emitem grandes baforadas de fumaça sem qualquer lógica. Essas máquinas foram essenciais para o show, pois criaram todo um ambiente único na casa de show. Pouco antes da apresentação iniciar, era possível ouvir a máquina funcionando e de forma surpreendente, em poucos minutos, todos os cantos do ambiente estavam dominados por um clima de suspense e dark. Além disso, o palco contava com uma série de backdrops, panos com pinturas para enfeitar o palco, contendo a capa do primeiro disco (tema da turnê) e uma série de representações maléficas que tornavam o ambiente ainda mais tenso e pesado.

Oito horas em ponto, era hora a profanação começar! Como já divulgado, a banda iria executar o primeiro disco, De Mysteriis Dom Sathanas, na íntegra, então os fãs já estavam com língua afiada para participar 100% do espetáculo. Pode parecer bobagem, mas entre uma música e outra, haviam pequenas pausas, que eram ocupadas por um som similar a cantos gregorianos e frases em latim, tipicamente associados à igreja católica e tenho que confessar, juntando a expectativa, com o ambiente e esse som ambiente, até os fortes sentiram um arrepio na espinha!

Obviamente, o show teve início ao som insano da bateria do mestre Hellhammer na música “Funeral Fog”, seguida do clássico máximo do grupo: “Freezing Moon“, acompanhado a plenos pulmões pela galera que estava ensandecida e não parava por um seguro.  Aos poucos os músicos e os fãs passaram a interagir de forma natural. O vocalista Attila com sua performance teatral, com roupas de padre, body paint pesado e um pouco de sangue,  chamou a atenção das câmeras e do público que não queria perder um segundo de tudo que estava acontecendo ali.

E a noite continuou com “Cursed In Eternity“, “Pagan Fears“, “Life Eternal” e “From The Dark Past“. Já pela metade do show, a temperatura do ambiente batia lá no alto e tanto os fãs, como os músicas estavam verdadeiramente encantados com toda a energia e era possível enxergar a emoção e o empolgamento do baixista  Necrobutcher, que assim como o baterista Hellhammer e o vocalista, são os membros remanescentes da formação original da banda.

De longe esse foi um dos shows mais difíceis que eu já fotografei, mas com certeza um dos mais poderosos e tocantes que eu já assisti. Toda a mistura de luzes, cores, a verdadeira neblina que se formou e se manteve em toda a casa, o som poderosamente alinhado e a performance única e tenebrosa sobre o palco, tornaram o show em um verdadeiro espetáculo.

Após a última música, “De Mysteriis Dom Sathanas” a banda se retirou do palco, mas por pouco tempo, pois havia espaço para mais, muito mais! E se o público queria mais do melhor black metal mundial, eles conseguiram com a tríplice: “Deathcrush“, “Chainsaw Gutsfuck” e “Pure Fucking Armageddon“. Três verdadeiras tijoladas pro ouvido e que fecharam a noite com chave de ouro.

No dia seguinte, uma péssima notícia começou a rondar as mídias sociais: um dos backdrops (já citado anteriormente) que a banda trouxe da Noruega, foram roubados após o show e que por algum motivo, o ladrão tirou uma foto segurando a faixa e divulgou na internet, mostrando seu rosto e tudo. Todo esse burburinho gerou um GRANDE mal estar na banda, que emitiu uma nota de repúdio em sua página oficial do Facebook e gerou um efeito colateral mais negativo ainda: acusações sem provas substanciais com ameaças de agressão e de morte. Um fim no mínimo trágico para uma noite que poderia ter sido apenas excelente por tudo que representou.

SHOWZÃO DEMAIS!

Setlist:
1 – Funeral Fog
2 – Freezing Moon
3 – Cursed in Eternity
4 – Pagan Fears
5 – Life Eternal
6 – From the Dark Past
7 – Buried by Time and Dust
8 – De Mysteriis Dom Sathanas
9 – Deathcrush
10 – Chainsaw Gutsfuck
11 – Pure Fucking Armageddon

 

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