Nile: técnica e brutalidade encerrando turnê em São Paulo

 

No último sábado (26/08) aconteceu o único show do Nile no Brasil, em divulgação do álbum “What Should Not Be Unearthed”. Os norteamericanos já haviam passado pelo México, Colômbia, Chile e Argentina. A apresentação foi no Manifesto Bar, em São Paulo (R. Iguatemi, 36).

Meia hora antes do início do show e a fila estava na esquina da casa. E muitas, muuuitas camisetas do Nile estampavam o peito dos fãs – inclusive, senti falta da venda dos merchans, havia apenas CDs.

5 minutos antes do horário previsto para o show e a imagem do logo da banda foi projetada no telão, o que levou o público a uma ansiedade ainda maior. Não havia aglomeração, estava confortável para assistir o show, parecia um evento mais intimista – talvez essa imagem possa ter desanimado, a princípio, um pouco a banda, que subiu discretamente ao palco para alguns ajustes de som. Foram muito bem recepcionados por um coro incessante clamando pela banda (inclusive com alguns guturais bem cavernosos).

A banda enfim começou o show, com a intro de “Ushabti Reanimator” – tematizando o ambiente com o trecho egípcio -, em uma incrível sincronização com o público. Se, em algum momento, a banda pensou que o show fosse ser parado, estavam muito enganados. A energia do público contagiou os estadunidenses, que se renderam e aproveitaram ao máximo o último show da turnê de “What Should Not Be Unearthed”. A acústica da casa tinha muita qualidade, e o posicionamento dos membros também foi bem interessante: Karl Sanders (vocal/guitarra), Brad Parris (vocal/baixo) e Brian Kingsland (vocal/guitarra) posicionados um ao lado do outro – o que deu bastante dinamismo no palco, já que os três cantam. O inacreditável George Kollias (bateria) ficou ao fundo, longe de ser ofuscado. “Sacrifice Unto Sebek” foi muito bem recepcionada, empolgando muito Parris, que de longe foi o que mais interagiu. Cabe ressaltar que ele vestia uma camiseta do Krisiun.

Defiling the Gates of Ishtar” teve o solo executado de uma maneira impecável, a banda estava adorando a recepção e o público adorando o que via – inclusive, é questionável a existência do Kollias. Provavelmente esse cara está envolvido com os mistérios que cercam o Egito, a técnica é realmente impressionante. A parte “limpa” foi cantada pelos três membros de corda, e indefectivelmente pela galera.
Kafir!”, o hit da noite, muito aguardado pelos fãs e executado de uma maneira bruta e intensa, e o trecho de “there’s no Gooooood” podia ser ouvido como uma voz só. Sanders cumprimenta o público com um simpático “salud, motherfuckers!” logo após o término. Em sequência, “Hittite Dung Incantation” deixando claro que essa formação está bem sedimentada, e a euforia não para.

Kingsland comenta sobre encerrar a turnê no Brasil, e como é uma honra tocar aqui, introduzindo “In The Name of Amun” como faixa do álbum em questão. O primeiro refrão foi cantado simultaneamente por ele e pelo animado Parris; na segunda parte, Parris guiava a galera com “heys” enquanto Kingsland cantava o resto. Sanders canta pouco nesta faixa, e ao final bangueia de maneira sincronizada com o baixista, deixando os vocais para Brian.

The Fiends Who Come to Steal the Magick of the Deceased”  e podemos dizer que Brad se mostra um ótimo frontman; seguido por “The Howling of the Jinn”, “Kheftiu Asar Butchiu” e a tempestuosa “Sarcophagus”, com muita interação do púbico.

Unas Slayer of the Gods” foi densa e visceral, com muito headbanging,  viradas espetaculares e solos melhores ainda, a cara do technical death! Fechando com a noite com “Black Seeds of Vengeance”, muito bruta cantada em coro – pela banda e pelos fãs -, em um refrão final memorável.

Definitivamente, uma banda que está com uma formação sincronizada, em que todos oferecem o melhor que possuem. Apesar de ser um estilo literalmente muito técnico, o show passa longe de ser massante, inclusive muito mais agradável ao vivo do que os plays de estúdio. Sem dúvidas, a apresentação fechou a turnê com chave de ouro.

Setlist

Ushabti Reanimator
Sacrifice Unto Sebek
Defiling the Gates of Ishtar
Kafir!
Call to Destruction
Hittite Dung Incantation
In the Name of Amun
The Fiends Who Come to Steal the Magick of the Deceased
The Howling of the Jinn
Kheftiu Asar Butchiu
Sarcophagus
Unas Slayer of the Gods
Black Seeds of Vengeance
Khetti Satha Shemsu

 

Fotos: LOOS photo

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