Bandas Entrevistas Notícias 

Entrevista exclusiva com Ana Morena do Camarones Orquestra Guitarrística

A banda Camarones Orquestra Guitarrística tem uma longa estrada percorrida, com 11 anos de carreira, já tocaram em diversos festivais ao redor do Brasil e do mundo. Eles são donos de uma extensa discografia e videografia que conta com clipes, shows ao vivo e documentários de turnês. A banda acaba de voltar de uma turnê nos Estados Unidos e continuam a turnê pelo Brasil até esse mês de Agosto. No dia 19/07 tivemos a oportunidade de conversar com Ana Morena (baixista) no show que eles fizeram em São Paulo no Estúdio Aurora em conjunto com a banda Combover. A entrevista exclusiva você pode conferir logo abaixo:

Nina: Estou aqui com a Ana Morena..

Ana: De Natal, Rio Grande do Norte do Camarones Orquestra Guitarrística.

Nina: Delícia. Me fala um pouco sobre a banda, como começou?

Ana: A Camarones é uma banda que tem muito tempo, estamos completando 11 anos de estrada, só que é uma banda que circula muito, viaja muito e muda muito de formação; mas de uns tempos pra cá, faz uns três anos ou quatro anos, que a gente segue com a mesma formação, que é o Yves Fernandes na bateria, o Anderson Foca em uma das guitarras, eu, Ana Morena, no baixo e o “Capilé” Alexandre Zampieri na outra guitarra.

É uma banda que começou há muito tempo atrás com a ideia de fazer uma banda instrumental que brincasse um pouco com essa coisa dos temas de desenhos animados, trilhas de cinema. A ideia inicial era essa. Só que aí fomos compondo e em menos de dois, três meses, tínhamos várias músicas compostas e a gente achou que não tinha mais porque perder tempo fazendo versão de trilhas. Então começamos a gravar nossas músicas e desde então a gente é uma banda que tem 7 discos lançados. Uma discografia bem grande, somos muito inquietos. Tentamos lançar um disco a cada dois anos, um ano e meio, a gente faz muita coisa mesmo. Tem discografia, videografia muito grande.

Nós somos uma banda que preza pela circulação, como eu e o Anderson somos de um combo cultural chamado “do Sol” lá em Natal, que tem uma série de atividades, a Caramones virou uma espécie de plataforma para conhecermos novas cenas, novas bandas, novas realidades. Então a banda é nossa forma de circular pelo Brasil conhecendo vários projetos, vários eventos e várias bandas também.

Nina: Que legal!! Recentemente vocês tocaram com a Huey no Centro Cultural de São Paulo, uma banda que eu gosto muito, também é instrumental, como foi esse show para vocês?

Ana: Eu também gosto muito. Cara, a Huey é uma banda que a gente encontrou lá atrás, bem no início, e não sei bem o que aconteceu, a gente se conectou muito fortemente. Uma banda que temos uma parceria grande, somos muito amigos, a gente se adora, sabe aquela coisa meio que “amamos o Huey, o Huey ama o Camarones“, é uma coisa bem assim mesmo.

Sempre que estamos em São Paulo, nós fazemos uma dobradinha, a gente já levou eles duas vezes pro Festival do Sol, o evento que fazemos lá em Natal, é uma banda sensacional, muito querida. Apesar de sermos uma banda mais punk rock, mais dançante; e eles serem uma banda mais metal, mais pesada, ambas bandas tem uma coisa meio tropical, não sei explicar, mas tem tudo a ver, então sempre que possível fazemos shows juntos. No CCSP foi muito bonito, eu fiquei impressionada porque estava muito frio e nós enchemos meia casa, foi muito legal.

Nina: Realmente vale muito a pena, porque são duas bandas incríveis, as duas instrumentais, acho um som muito legal. Eu conheci a Huey graças ao Far From Alaska, porque eles abriram o show do FFA no Sesc Pompeia e eu achei incrível.

Ana: Sim, eles são maravilhosos e o Far From Alaska é uma banda de Natal também e já tocamos juntos no Sesc Pompeia também, risos. Acho muito legal que você conheça todas essas bandas.

Foto: Fernando Yokota

Nina: Com certeza. Mas então, vocês são os responsáveis pelo Festival do Sol? Como que rola lá?

Ana: Sim. Natal é uma cidade turística, há muito tempo atrás era calcada no forró, no axé, nessas músicas mais regionais, muito influenciada pelo forró lá do Ceará. O Festival do Sol vai fazer 16 anos agora em 2019, nós construímos ao longo dos anos essa paixão pela cultura local, as bandas potiguares são bandas muito fortes e muito emblemáticas na cidade, nós já fizemos edições do festival que as bandas locais estavam fechando o evento e foi uma das edições com mais público.

Fazemos o festival de uma forma que os artistas conversem entre si; ele acontece na praia, é muito legal, quem não conhece, por favor, vá! Temos quatro palcos, os shows acontecem intercalados. Vocês vão se divertir muito, é beira-mar, vocês podem tomar banho de mar se vocês quiserem. Até às 17h, porque depois fica perigoso.

E é bacana ver que estamos fomentando esse nosso mercado médio, que é o mercado do Huey, Camarones Orquestra Guitarrística, Far From Alaska, Plutão Já Foi Planeta e tantas outras bandas, as bandas do “Capilé” tudinho, Ator Morto, Corona Kings, Deb And The Mentals… Ah, são muitas! Nós realmente trabalhamos com esse mercado, fomentamos esse mercado da música independente brasileira; que é um mercado muito palpável, interessante, que está acontecendo e está forte, apesar de tudo!

Nina: Com certeza e ainda bem! Quais são as novidades, o que vocês tem em vista pro futuro?

Ana: Do Festival do Sol ou da Camarones?

Nina: Dos dois, risos. Vamos começar com a Camarones..

Ana: Bom, a Camarones, estamos com essa turnê eterna, começamos em Maio nos Estados Unidos. Depois fomos pro Nordeste, fizemos um show muito interessante e muito importante lá no Sonido, um festival que acontece em Belém, ele é gratuito e estava lotado. Tivemos oportunidade de fazer um “featuring” com o Manuel Cordeiro, o mestre da guitarrada paraense. Esse show foi lindo e maravilhoso, muito possivelmente vamos repetir esse show aqui em São Paulo, estamos tentando lá pra Dezembro, talvez.

Então viemos pro Sul e Sudeste, depois que terminar esses shows, o último vai ser no Festival Coma em Brasília, vamos segurar um pouco e então fazer uma turnê do disco Surfers que pretendemos fazer com o Manoel Cordeiro.

Foto: Thiago Araújo

Agora, o Festival do Sol tiveram os blind tickets esgotados em três dias, venderam muito rápido, estamos muito felizes, porque foi inesperado para gente. Lançamos dez nomes de atrações hoje (19/07), entre eles Terno Rei, Maglore, enfim, nas nossas redes sociais já estão os dez nomes e ficaremos lançando os nomes até o festival acontecer.

Nina: O festival vai rolar quando?

Ana: 23 e 24 de Novembro.

Nina: Legal demais. O Camarones vai lançar algum material em breve?

Ana: A gente acabou de lançar o disco Surfers, composto de 8 músicas. Compusemos em Março e lançamos em Maio na nossa turnê. Por enquanto é isso, talvez façamos algo com Manoel Cordeiro nesse show que estamos programando aí, não sei, porque a gente é muito inquieto e não para quieto.

Nina: Legal demais, muito obrigada pela atenção!

Ana: Obrigada vocês, que bom que vocês vieram e estão aqui com a gente.

Foi maravilhoso conversar com a Ana, ela é muito simpática, além de talentosíssima. Sem contar que esse sotaque potiguar é uma delícia de ouvir. Ouçam o novo álbum Surfers aqui.

Mais informações da banda aqui.

Written by 

Matérias Relacionadas